
A antiga Companhia de Tecidos Rio Tinto é um dos mais importantes patrimônios históricos da Paraíba e um dos principais símbolos da industrialização do Nordeste brasileiro. Fundada em 1924 pela família Lundgren, a fábrica deu origem ao município de Rio Tinto e exerceu grande influência no desenvolvimento econômico e social da região. Embora suas atividades tenham sido encerradas, o complexo industrial permanece preservado e representa um importante marco da memória histórica paraibana, atraindo visitantes interessados em conhecer sua arquitetura e sua relevância para a história da indústria têxtil brasileira.
Ao longo de sua história, a Companhia de Tecidos Rio Tinto consolidou-se como uma das maiores indústrias têxteis da América Latina. Em 10 de setembro de 1933, a fábrica recebeu a visita do então presidente Getúlio Vargas, ocasião em que foi firmado um importante contrato para o fornecimento de tecidos destinados à Marinha, demonstrando o reconhecimento nacional da qualidade de sua produção.
Durante seu período de maior desenvolvimento, especialmente na década de 1960, o complexo industrial possuía cerca de 50 galpões distribuídos em uma área aproximada de 52 mil metros quadrados e empregava aproximadamente 6 mil trabalhadores. Seus tecidos abasteciam diversas regiões do Brasil e também eram exportados para a Europa e os Estados Unidos. Para manter o ritmo da produção, as caldeiras consumiam diariamente cerca de 80 caminhões de lenha. O crescimento da fábrica impulsionou ainda a construção de vilas operárias, escolas, hospital, igreja, cinema, clube recreativo e outros serviços, transformando Rio Tinto em uma verdadeira cidade-fábrica.

A introdução do capitalismo moderno no Vale do Mamanguape pela Companhia de Tecidos Rio Tinto transformou radicalmente a condição humana na região, reconfigurando a estrutura social ao converter antigos camponeses e populações indígenas locais em uma nova classe trabalhadora assalariada. Mais do que um polo industrial, o complexo estabeleceu um sistema de controle total sobre a vida de seus operários, submetendo-os a uma lógica de subsistência severa, onde os salários eram frequentemente pagos em moedas ou vales da própria fábrica, obrigando-os a consumir nos armazéns da empresa. Sem direito de escolha sobre suas próprias moradias padronizadas nas vilas operárias e condicionados a uma rotina de rituais culturais e disciplina rígida ditados pelos patrões, esses sujeitos históricos vivenciaram as contradições da divisão de classes. Assim, o trabalhador rio-tintense emergiu como o elemento humano central desse sistema, equilibrando a submissão econômica imposta pelo capital com a criação de redes de solidariedade que definiam sua sobrevivência e identidade.