


A Paróquia de Santa Rita de Cássia surgiu junto com a cidade e com a Companhia de Tecidos Rio Tinto. Construída em 1918, ela foi oficialmente inaugurada décadas depois, em 1942, em plena Segunda Guerra Mundial. Era neste importante patrimônio histórico que o fundador da cidade, da família Lundgren, assistia às missas aos domingos. A igreja sobreviveu intacta à Revolta de 1945, quando várias outras propriedades da fábrica foram atacadas. Toda essa época gerou um rico imaginário popular, incluindo a famosa lenda local nunca comprovada de que o palacete da família Lundgren teria escondido Adolf Hitler.
O que mais chama a atenção na igreja, ainda hoje, é a sua forte influência europeia e o estilo alemão. Construída inteiramente com tijolos aparentes, ela se diferencia bastante das tradicionais igrejas coloniais encontradas na Paraíba. Esse visual único também é fonte de mistérios: há rumores de que a arquitetura e os adornos fariam referência ao Terceiro Reich. O principal alvo dessa lenda é um relevo presente na fachada, que alguns associam à águia utilizada pela Alemanha na guerra. No entanto, historiadores afirmam que a figura representa apenas um símbolo cristão, sem nenhuma relação comprovada com o nazismo.
Para além da arquitetura europeia e da presença da família Lundgren, a Paróquia de Santa Rita de Cássia cumpre um papel central na análise antropofilosófica do Vale do Mamanguape. A construção da igreja esteve intrinsecamente ligada à imposição do ritmo do sistema capitalista fabril sobre a população local. Era neste espaço sagrado que a Companhia de Tecidos Rio Tinto buscava unificar a massa de operários, camponeses e indígenas sob uma mesma ordem moral e religiosa, consolidando a transição dessa população tradicional para o regime de assalariamento e a disciplina do trabalho industrial cotidianamente.