Devemos dosar em todas as pessoas?
- Não há indicação de dosagem de rastreio na população geral, não é custo efetivo e não traz benefícios na reposição.
Em quem devemos dosar?
Dosar em pacientes com risco de deficiência de vitamina D:
- Pessoas restritas em domicílio
- Idosos
- Pessoas que trabalham por longas horas em ambientes fechados
- Pessoas com pele escura
- Pessoas sedentárias
- Portadores de doenças crônicas (DM, DRC, doença hepática, má absorção intestinal)
- Pessoas com obesidade
- Pós cirurgia bariátrica
- Bebês filhos de mães com deficiência de vit D
- Pessoas em uso de fenobarbital, carbamazepina, dexametasona, rifampicina, nifedipino, espironolactona, ritonavir, ciproterona
Qual metabólito devemos dosar?
- Dosar a 25-hidroxi- vitamina D em fração total, pois tem maior meia vida.
- Não dosar calcitriol pois tem meia vida curta.
- Dosar por imunoensaios, apesar de não ser padrão ouro, é o mais acessível, para melhorar a qualidade do resultado, prefira dosar sempre no mesmo laboratório para evitar erros de interpretação.
Quais os valores de referência da vitamina D?
- Os autores do Consenso não se posicionaram sobre o ponto de corte.
- Fica a sugestão de manter como a Sociedade Brasileira de Endocrinologia orienta:
- Valores entre 20 e 60 para pessoas saudáveis e sem fatores de risco
- Valores entre 30 e 60 para idosos, presença de comorbidades e fatores de risco para deficiência
- Lembrar que a mortalidade relacionada aos níveis de vit D faz uma curva em U. Valores muito baixos e valores muito altos estão relacionados ao aumento de mortalidade.
Pontos Importantes a Considerar
Alguns pontos são polêmicos nessas recomendações:
- O ponto de corte de 20 ng/dL é discutível e, alguns autores reforçam que para a maioria da população, níveis > 12,5 ng/mL seriam suficientes.
- Até o momento, nenhum estudo clínico mostrou benefício para desfechos não ósseos na reposição de vitamina D. Mesmo para desfechos ósseos, esse benefício é questionável.
- A decisão de dosagem e tratamento deve ser individualizada, pesando as preferências do paciente e as incertezas da literatura médica no momento atual.
Como suplementar?
Dose diária ou semanal?
- Doses diárias são preferíveis às doses semanais pois tem absorção mais efetiva.
- Na dose semanal são ativadas enzimas que inativam a vitamina D.
- Porém, se o paciente já usa e está bem adaptado, com boa resposta à reposição, pode ser mantido semanalmente.
- Considere a adesão para escolher a via de administração
- Altas doses mensais (acima de 60 mil UI) não são recomendadas, pois aumentam risco de queda e de fraturas.
Qual a via recomendada?
- Via oral é a de escolha.
- Não temos preparação IM no Brasil.
Qual metabólito usar?
- Colecalciferol é a primeira escolha para suplementar a maioria das pessoas
- Passa pela metabolização hepática, lipossolúvel.
- Calcifediol é uma boa opção para suplementar pacientes com má absorção grave.
- Indicado em pessoa com pós bariátrica, insuficiência hepática, obesidade, uso de antirretroviral e anti tuberculínicos
- Não sofre metabolização hepática, hidrossolúvel, melhor absorvido
- É 3 x mais potente que o colecalciferol.
- No Brasil disponível comprimido de 10 mcg com dose máxima até 20 mcg/dia.
Quais doses utilizar?
- O Consenso não fornece padrão de doses, em parte por não haver estudos de qualidade para fazer tal recomendação.
- A dose de ataque pode ser realizada ou não. A prescrição deve ser individualizada sempre.
Opções de prescrição possíveis
Fonte adapatado de Whitebook, TelessaúdeRS e WeMeds
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Colecalciferol 50 000 UI 1 vez por semana por 6 a 8 semanas de ataque + Colecalciferol 800 a 2000 UI por dia (ou equivalente semanal - multiplique a dose por 7) por 6 a 12 semanas de manutenção.
Se níveis abaixo de 20
OU
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Colecalciferol 7 000 UI por dia por 6 a 8 semanas de ataque + colecalciferol 800 a 2000 UI por dia por 6 a 12 semanas de manutenção
Se níveis abaixo de 20
OU
3. Colecalciferol 800 a 2000 UI por dia por 6 a 12 semanas
Se níveis entre 20 e 30
Repita o exame em 3 meses para avaliar se os níveis estão adequados.
Atualizado em 29/10/2024
Referência: Consensus Statement on Vitamin D Status Assessment and Supplementation: Whys, Whens, and Hows, 27 de abril de 2024, TelessaúdeRS “Quais são as indicações de dosagem e reposição de vitamina D em pacientes assintomáticos?”, WeMeds