14/07/2026 Esse poema tem sido divertido de produzir, e gostei bastante da forma de fala. Boa sorte lendo, colega!

Ísis, uma otimista garota. Pinta um quadro, cega por positividade, Mergulhada em tinta guache e tons vívidos. Com os cabelos ruivos e encaracolados, molhados em leite condensado.
Ísis pincela toda a sua paisagem singela num quadro, Com as íris cromáticas e ingênuas, Encharcada por um xarope de arco-íris, As retinas despejando uma inspiração quase física, E cores de limão-siciliano vibrando em suas pálpebras. Ela foi totalmente consumida pela arte utópica.
No quadro há diversos elementos, quase impossíveis: Tons sorridentes, e elementos loucamente positivos; Um jardim amarelo estelar, de guache e margaridas bebês, verdejantes; E um lugar ensolarado para todo sempre, e sem auto-sabotagem.
Ela dá um selinho em seu quadro, entusiasmada. Ísis tem certeza que isso tomará forma, um dia ou outro. Ela bebeu todo o xarope arco-íris encantado da arte.
Porém, logo se passa uma maré esfumaçada. Nomeada de: Realismo. E todo o seu quadro se borra, desmancha-se. Suas digitais e lágrimas ajudam o quadro a deformar-se ainda mais. Mais, e mais, de maneira trágica.
E se toma uma forma lavada, e repleta de tons ensaboados e cinzas. O mundo ensolarado foi fechado, Por um nublar triste de mercúrio.
E então, o quadro torna-se, novamente, branco e limpo. O branco que vêm outras Ísis, com outras margaridas bebês. E o ciclo se repete.
Tinta guache descolore fácil, não?
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